Abstract
O tema dos estágios da existência perpassa toda a produção de Kierkegaard. Ele teve sempre o cuidado de mostrar que estético, ético e religioso não são etapas que acontecem apartadas uma da outra, como num modelo sistemático, mas acontecem ao mesmo tempo, uma vez que se dão na existência e se realizam enquanto existência. Mas, em termos da construção de um pensamento clínico em psicologia, o que seria importante ainda se entender acerca dos estágios? Que relação ainda podemos fazer entre as caracterizações e personificações, às quais Kierkegaard, sob pseudônimo ou não, lança mão para apresentar os estágios? E, finalmente, como essa questão perpassa um pensamento clínico ou um pensamento existencial em psicologia? Nosso objetivo com este texto é responder a estas questões. Começaremos por esclarecer o sentido de comunicação indireta no projeto de Kierkegaard. Em seguida, apresentaremos as caracterizações dos diferentes estágios para, então, esclareceremos o sentido de tarefa por meio da apresentação de algumas personificações dos estágios. Por fim, pensaremos as repercussões para um pensamento clínico em psicologia. Veremos que Kierkegaard recorre aos estágios e suas personificações ambicionando tirar o leitor de seu modo confortável de pensar e agir.