Abstract
Com uma história que ultrapassa cem anos, a ciência da mensuração da pobreza foi impulsionada pela necessidade de critérios mais sistemáticos para determinar tanto a extensão do fenômeno quanto aquelas pessoas com direito à assistência social. Discuto dois dos principais produtos dessa história: as linhas de pobreza e as abordagens para sua mensuração. As linhas separam as pessoas em pobreza ― aquelas cujo nível de carência está abaixo da linha ― daquelas fora dela ― aquelas cujo nível está acima. E se pobreza é uma carência, nem todas as carências caracterizam pobreza. Não por acaso, cada abordagem se distingue por definir que tipo de carência faz da pobreza o que ela é. Aqui, apresento seis abordagens: monetária, subsistência, privação relativa, necessidades básicas, capacidades e direitos humanos. Mas entre pesquisadores, persiste a falta de consenso, seja sobre como traçar a linha de pobreza ou sobre qual abordagem é mais adequada. Relacionado a isso, concluo que diagnósticos sobre a pobreza de uma sociedade exigem o emprego não de uma, mas de diferentes medidas.